Fui a mãe que recebeu o positivo do teste com um misto de sensações. Fui a mãe sortuda que não teve enjoos mas a que teve um ataque quando as primeiras calças deixaram de servir. Fui a mãe que se viu sem barriga até aos 7 meses de gestação e a mãe que, de um momento para o outro, em pleno verão começou a andar como os pinguins. Fui a mãe que não sabia o que eram as contrações e a mãe que, cuidadosa e religiosamente, quando as começou a contar já as maganas estavam de 5 em 5 minutos. Fui a mãe que pariu de óculos e tremia "que nem varas verdes" e a mãe que sorriu quando a enfermeira te colocou perto de mim e te disse "diga Bom Dia com Mokambo". Fui a mãe que chorou sozinha quando tomou o primeiro banho pós parto no hospital e a mãe que queria ali a sua mãe bem perto. Fui a mãe que não sabia amamentar e a mãe que ouviu que tinha de doer. Fui a mãe que não sabia trocar uma fralda e a mãe que pediu ao pai para ser ele a dar-te o primeiro banho. Fui a mãe que não queria passar as noites sozinha na maternidade e a mãe que logo na primeira adormeceu contigo lado a lado. Fui a mãe que não sabia o que fazer aquando da subida do leite e fui a mãe que suportou as dores pelo facto de nunca teres aprendido a mamar (dor física que não penses que doeu mais do que a dor de uma mãe que pensava ser inferior a todas as outras). Fui a mãe que chorou no ombro do pai de cada vez que me julgava falhada e fui a mãe que ouviu o pai quando ele me disse que para tu estares bem eu também tinha de estar. Fui a mãe que gastou dinheiro em latas de leite e a mãe que preparou cada biberão com o maior amor do mundo. Fui a mãe que não pregou olho muitas noites e a mãe que se deu por feliz por, em grande parte delas, seres um bebé sossegado. Fui a mãe que te deu a conhecer os alimentos de forma diferente mas a mãe que sabe que adoras sopas. Fui a mãe que te deu colo e a mãe que muitas vezes está tão cansada que tem de dar uso ao carrinho ou à aranha. Fui a mãe que te apoiou nos primeiros passos e a mãe que continua a ajudar até saberes andar sozinho. Fui a mãe que pediu ao pai para em algumas noites ser ele a dormir mais perto de ti e a mãe que, a meio de todas as noites, te deixa vir para junto de nós. Fui a mãe que te deixou adormecer a mexeres-me nas orelhas e a mãe que continua a detestar que me mexam no cabelo. Fui a mãe que enrolou frases e parágrafos e afins para evitar a palavra "Não" e ser positiva e a mãe que, ao ver-te a subir escadas sozinho gritou "Tomé, não quero que vás para as escadas!". Fui a mãe que já te ofereceu uma Bolacha Maria e a mãe que não dispensa fazer umas panquecas saudáveis para o nosso lanche. Fui a mãe que ficou contigo em casa nas tardes de chuva e a mãe que te levou ao parque para andares de escorrega (gostas tanto!). Fui a mãe que apostou na tua segurança e fez um mealheiro para te comprar uma boa cadeirinha mas a mãe que, mesmo sem mealheiro feito, foi capaz de gastar mais uns trocos num pijama fofinho ou numas leggings coloridas. Fui a mãe que prometeu não demorar e a mãe que, raramente, consegue sair suficientemente cedo para te cumprir o prometido. Fui a mãe que teve de se levantar de madrugada e deixar-te a dormir e a mãe que, antes de fechar a porta do quarto, olha mais uma vez para ti e diz baixinho o quando te ama. Fui e continuarei a ser essa mãe. Fui a mãe que mostra o lado negro da maternidade mas que quando quer é a maior lamechas do mundo!
Com tudo e mais alguma coisa. Por vezes, até mesmo sem (quase) nada. Imperfeita. Indecisa. Apaixonada pela tua infância e tudo o que este teu crescimento tem trazido. Fui e serei sempre a tua mãe. És e serás sempre o meu Tomé. Fomos e seremos sempre um do outro.
(PS: Nada disto me tira o apetite de, por vezes, o entregar ao vizinho por umas horas. Só naqueles momentos claríssimos em que a maternidade consciente se esgota, está claro!)



