quinta-feira, 29 de novembro de 2018

(mãe e filho) fomos.seremos.


Fui a mãe que recebeu o positivo do teste com um misto de sensações. Fui a mãe sortuda que não teve enjoos mas a que teve um ataque quando as primeiras calças deixaram de servir. Fui a mãe que se viu sem barriga até aos 7 meses de gestação e a mãe que, de um momento para o outro, em pleno verão começou a andar como os pinguins. Fui a mãe que não sabia o que eram as contrações e a mãe que, cuidadosa e religiosamente, quando as começou a contar já as maganas estavam de 5 em 5 minutos. Fui a mãe que pariu de óculos e tremia "que nem varas verdes" e a mãe que sorriu quando a enfermeira te colocou perto de mim e te disse "diga Bom Dia com Mokambo". Fui a mãe que chorou sozinha quando tomou o primeiro banho pós parto no hospital e a mãe que queria ali a sua mãe bem perto. Fui a mãe que não sabia amamentar e a mãe que ouviu que tinha de doer. Fui a mãe que não sabia trocar uma fralda e a mãe que pediu ao pai para ser ele a dar-te o primeiro banho. Fui a mãe que não queria passar as noites sozinha na maternidade e a mãe que logo na primeira adormeceu contigo lado a lado. Fui a mãe que não sabia o que fazer aquando da subida do leite e fui a mãe que suportou as dores pelo facto de nunca teres aprendido a mamar (dor física que não penses que doeu mais do que a dor de uma mãe que pensava ser inferior a todas as outras). Fui a mãe que chorou no ombro do pai de cada vez que me julgava falhada e fui a mãe que ouviu o pai quando ele me disse que para tu estares bem eu também tinha de estar. Fui a mãe que gastou dinheiro em latas de leite e a mãe que preparou cada biberão com o maior amor do mundo. Fui a mãe que não pregou olho muitas noites e a mãe que se deu por feliz por, em grande parte delas, seres um bebé sossegado. Fui a mãe que te deu a conhecer os alimentos de forma diferente mas a mãe que sabe que adoras sopas. Fui a mãe que te deu colo e a mãe que muitas vezes está tão cansada que tem de dar uso ao carrinho ou à aranha. Fui a mãe que te apoiou nos primeiros passos e a mãe que continua a ajudar até saberes andar sozinho. Fui a mãe que pediu ao pai para em algumas noites ser ele a dormir mais perto de ti e a mãe que, a meio de todas as noites, te deixa vir para junto de nós. Fui a mãe que te deixou adormecer a mexeres-me nas orelhas e a mãe que continua a detestar que me mexam no cabelo. Fui a mãe que enrolou frases e parágrafos e afins para evitar a palavra "Não" e ser positiva e a mãe que, ao ver-te a subir escadas sozinho gritou "Tomé, não quero que vás para as escadas!". Fui a mãe que já te ofereceu uma Bolacha Maria e a mãe que não dispensa fazer umas panquecas saudáveis para o nosso lanche. Fui a mãe que ficou contigo em casa nas tardes de chuva e a mãe que te levou ao parque para andares de escorrega (gostas tanto!). Fui a mãe que apostou na tua segurança e fez um mealheiro para te comprar uma boa cadeirinha mas a mãe que, mesmo sem mealheiro feito, foi capaz de gastar mais uns trocos num pijama fofinho ou numas leggings coloridas. Fui a mãe que prometeu não demorar e a mãe que, raramente, consegue sair suficientemente cedo para te cumprir o prometido. Fui a mãe que teve de se levantar de madrugada e deixar-te a dormir e a mãe que, antes de fechar a porta do quarto, olha mais uma vez para ti e diz baixinho o quando te ama. Fui e continuarei a ser essa mãe. Fui a mãe que mostra o lado negro da maternidade mas que quando quer é a maior lamechas do mundo!

Com tudo e mais alguma coisa. Por vezes, até mesmo sem (quase) nada. Imperfeita. Indecisa. Apaixonada pela tua infância e tudo o que este teu crescimento tem trazido. Fui e serei sempre a tua mãe. És e serás sempre o meu Tomé. Fomos e seremos sempre um do outro. 

(PS: Nada disto me tira o apetite de, por vezes, o entregar ao vizinho por umas horas. Só naqueles momentos claríssimos em que a maternidade consciente se esgota, está claro!)




segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Puerpério... (conheci-te!)

É preciso, se não urgente, desmistificar o pós-parto, o tão conhecido puerpério. Podia ter feito uma pesquisa mais elaborada e dizer que, segundo alguns estudos, o puerpério pode durar determinado tempo, isto, aquilo e o outro mas prefiro falar por experiência própria. Afinal, quem carrega as nossas dores para além de nós mesmos? Ninguém! Dizem-nos que também já passaram por aquilo, que sabem bem o que é e, pessoalmente, acredito que existam situações piores - existem sempre pessoas piores que nós - mas essa comparação não ameniza, não acalma. As nossas dores somos nós próprios que as carregamos!

Durante a gravidez do Tomé, confesso que andava às escuras. Um mundo novo, novas descobertas, os receios e ansiedades, expetativas, o medo do desconhecido. Admito que pensava que não seria tão difícil. Como admito que era impensável amar alguém como o amo.

As aulas e apoio na área de saúde materna são excelentes e nisso tive sorte em conhecer a enfermeira Solange - grande profissional e muito mas muito humana - e ainda hoje me recordo tão bem das suas palavras: "acreditem que o que custa mais no meio disto tudo não é o parto mas sim o pós-parto". Estava certa, Solange! Foi mesmo!
Arrisco-me a dizer que o parto do Tomé foi algo que em nada me custou (bendita epidural!).. portanto, o que podia querer eu?
Queria que o que viesse a seguir não tivesse custado tanto.
Bolas, eu estava às escuras, em tudo!
Não sabia como amamentar um bebé, não sabia reconhecer, de imediato, os diferentes choros e quais seriam as suas queixas, não sabia nada!
Será agora a parte em que dizem que o tempo traz experiência, que os erros nos ensinam, que ser mãe é mesmo isso. Sim, eu aceito. Mas na altura, os comentários não apoiaram.
Foi no pós-parto e depois de algumas coisas terem corrido menos bem que me dediquei a pesquisar. Foi depois da amamentação de três meses ter falhado que aprendi mais sobre o assunto. Foi depois de ter passado noites sem dormir e a ouvir o Tomé chorar que percebi se eram cólicas, calor, fome. Sim, foi o tempo que me trouxe aprendizagens e hoje, sinto-me mais capaz!
Mas bolas.. O puerpério é lixado! Confesso que a única pessoa que eu queria naquela altura era a minha mãe. Queria abraçá-la e não a queria largar por nada deste mundo. Naquela altura não há namorado, irmã, irmão, tia, prima, sogra, amiga que te valham! São todos uns queridos e damos uns sorrisos na maternidade nas horas de visita mas o que vai cá dentro é "gente, não se demorem aqui. Vão mas é chamar a minha mãe.". Mas isto, sou só eu a falar. Experiência própria, mais uma vez. E contra mim falo porque tenho sempre a certeza que a minha mãe cura tudo e só ainda não me foi diagnosticada Síndrome de Peter Pan porque porque.. Mas, já que falo por mim, não posso deixar de dizer:

Não romantizem uma fase que custa, não banalizem as dores de uma recém mãe, não digam que "daqui a um ano estás pronta para outro" quando uma mulher se custa, inclusive, a sentar depois do seu corpo ter sido totalmente mexido; não digam a uma mãe "o teu leite é fraco" quando a única coisa que o bebé conhece é o corpo da mãe e, normalidade das normalidades, vai querer mamar por tudo e por nada; não digam a uma mãe "coitadinho do bebé, experimenta dar mama só mais uma vez. Tens de ganhar calo na mama" quando a própria sabe, efetivamente, que já fez tudo o que podia para amamentar e não consegue mais porque tem conhecimento que dar de mamar não deve doer; não tirem os bebés do colo da mãe quando o cheiro materno é o único que eles querem; desenhem uma maternidade a cores mas não se esqueçam do lado que dói, não se esqueçam que também o lápis cinzento faz parte dessa pintura. 
Ajudem, compreendam mas não insistam, não condenem, não peçam justificações. Dêem espaço para conhecermos os bebés e para eles nos conhecerem, para assentarmos os pés na terra, para darmos tempo ao nosso corpo, para entendermos todos os processos que acontecem connosco. Terão tempo para estar com os pequenos, depois. Deixem os pais e os bebés aprenderem a serem um só, aprenderem a ser uma equipa. Acreditem que há pessoas que nos fazem sentir como se tivéssemos servido apenas como parideiras e isso.. Não ajuda! Acreditem que quando chegam a nossas casa e nos oferecem palpites que em nada acrescentam, os famosos bitaites, as típicas frases feitas - dá vontade de vos levar, gentilmente, para a porta por onde entraram. Vão ler isto e pensar que sou exagerada ou, talvez, uma besta, mas acredito que, ainda que em silêncio, muitas vão concordar com isso. E é disso que precisamos. Que digam as coisas, que não se calem, que parem de usar só o lápis cor de rosa, que se acabem os fundamentalismos e extremismos e comparações que mais parecem campos de batalha.
Acreditem que uma mãe, no puerpério, precisa de tempo e espaço. 
Se nem o sol brilha sempre, porque é que nós, mães, seríamos diferentes?!
Somos sempre as melhores para os nossos filhos mas..também precisamos de ser cuidadas.


sábado, 10 de novembro de 2018

O Primeiro Aniversário do Mecas

Sei que já passou um mês desde o aniversário do Tomé mas não queria deixar de o registar aqui no blog.
Dia 8 de outubro festejámos o primeiro aniversário do Tomé e não foi uma festa de arromba mas foi um dia muito bonito, vivido, sobretudo, a três, como temos tão poucas vezes!
Tive sorte em estar de folga e decidi que não iria fazer uma festa com muita gente - ele não se iria aperceber do que estávamos, propriamente, a festejar e, pessoalmente, confesso que não tenho muito jeito para grandes eventos! O grande evento tinha sido há um atrás - a sua chegada - e este seria um dia especial em que queríamos aproveitar o tempo que muitas vezes a vida e o trabalho nos roubam para estarmos os três.
O primeiro ano de vida é motivo de celebração, na minha modesta opinião, não só para o pequeno como também para os pais. Concordo com a famosa máxima que nos diz que quando nasce um filho, nasce uma mãe (e isto vale também para o pai!).



Fomos os três almoçar pertinho de casa e, depois, fomos a um sítio onde houvesse água - o Tomé adora a a água e, se não tiver ondas, melhor! Aproveitámos bem a tarde e regressámos a casa - eu tinha prometido fazer o jantar preferido do Tomé e um bolinho.
Assim fiz - macarrão com carne de frango e batata doce no forno - ele adorou, sujou-se (como habitual) e ainda teve direito a um bolinho saudável para ter a oportunidade de aprender a tradição de cantar os parabéns e soprar as velinhas. Claro que para ele tudo foi luz, tudo foi novidade, tudo foi espanto - a cara dele dizia tudo e eu não podia estar mais feliz (quiçá mais que ele!).
O certo e sabido é que eu não lhe posso dar tudo mas posso dar sempre o melhor de mim e ir ao encontro daquilo que ele gosta e que o deixa feliz, contente, com os olhos a brilhar. 
Estava ainda mais bonito neste dia 8 de outubro em que celebrou o seu primeiro aniversário.
Parece que foi ontem que nasceu, que aprendemos a ser pais e filho, que eu "tremia que nem varas verdes" por não saber o que lhe fazer quando chorasse - e tudo o que sei hoje é que um abraço e um beijinho curam, o amor cura e nunca vai ser demais!
Amo tanto este Tomé que ninguém imagina e como diz a minha mãe "Nunca tu pensaste que era possível amar alguém dessa maneira, pois não?".. Estava certa, como sempre!