Durante a nossa vida vamos conhecendo pessoas e grande parte delas começam a fazer parte da nossa rotina. Há aquelas que não conseguimos viver sem, há as outras que só pedem uma mordaça ou rolos de fita cola grossa a tapar a boca, há aquelas que não aquecem nem arrefecem e que não nos lixam o cérebro.
Quando nos tornamos mães, acho eu cá 'cos meus neurónios assim meio que já todos gastos, passamos a ver as pessoas de forma diferente sempre que as mesmas se referem a um assunto que é nosso mas que em cliché geral "são do mundo" : os nossos filhos.
Então damos por nós a catalogar estes seres fofos que volta e meia parece que se escapam cada um de seu frasco com vida própria e achando que a opinião deles é fulcral para esta coisa da maternidade. (Calhando seja melhor sublinhar desde já "pessoas, eu sei que a maioria não faz por mal e sei que não têm qualquer intenção maldosa".)
Então, chegando a vias de facto, temos os seguintes frasquinhos com a seguinte disposição:
1) Os QM (Quase Médicos) - estas pessoas são quase doutoradas em pediatria com mais não-sei-quantas especialidades disto e daquilo. Se o teu filho tosse, diagnosticam de imediato uma constipação. Se o teu filho tem mais que três borbulhitas, avizinha-se uma varicela. E por aí em diante, tem tudo para ires a correr de imediato a um médico ou quiçá, pedires logo a receita para a coisa a essa pessoa porque também deve ser eficaz.
2) Os Agoirentos - este lote está cheio de pessoas que, em conjunto com os QM, vão pintar o pior cenário. Não é bom o menino andar com uma blusa tão fininha, não é recomendável o menino comer papas porque tem tendência a engordar, não é normal o menino ainda não falar porque pode significar que o desenvolvimento oral está atrasado, não é bom que não coma sempre sopa porque a dita tem os nutrientes para um crescimento saudável. Etc etc etc.
3) Os Permissivos - eu, pessoalmente, gosto da coisa do q.b. e sou apologista do "nem 8 nem 80". Os permissivos encaixam-se no 8 e.. Raios parta, não digam a uma mãe "deixa-o fazer isto", "deixa-o fazer aquilo", "não sejas tão rígida com a criança". Gente do meu coração, vocês não dão a criança à mãe assim que ela começa a rabiar? Então, deixem lá a mãe ralhar e pôr ordem na cria quando e como lhe apetecer. De nalgadas ainda não falo porque até ver, ainda não precisou de nenhuma.
4) Os Abusivos - como vão perceber, 'tá de caras que estes são o oposto dos permissivos. Estes são os "80"! Quando digo abusivos, abusam da paciência dos putos e, inclusive e reforçado, da da mãe. Não apertem as crianças com beijos e abraços se elas não querem nem se sentem bem com isso. Não ofereçam nada aos putos sem perguntar à mãe. Não falem como se fossem a mãe em contexto algum. Não a vão substituir nem que se pintem e, a meu ver, é a figura maternal que as crianças devem ter em conta aquando de qualquer situação. Deve ser a mãe a ralhar, a confortar, a gabar-se (sim!) dos seus filhos. Cada macaco no seu galho, capiche?
5) As Comparativas - tinham de vir né? Então os filhos destas pessoas na altura pesavam mais, falavam fluentemente o português e mais uma ou duas línguas e contavam até 20! O Tomé diz um "três" muito envergonhado quando nos pomos a contar ao pé dele e vá lá vá lá. Muito sabe ele que o três vem a seguir ao dois e antes do quatro. Os filhos das comparativas fazem tudo melhor que os nossos e nós ficamos mesmo com aquela cara de alface a pensar "já chega ou vale a pena sentar e tomar uma xícara de chá??"
(Vale a pena repetir que o que escrevo não é baseado na íntegra na minha realidade. Generalizo e não escrevo diretamente para ofender ninguém. Não levo a mal nada do que me dizem porque... a cara de alface está cá quando é preciso!)
(Mais uma nota em jeito de PS: isto não vale para o pai, para a ama nem para a minha mãe que são as três pessoas que passam mais tempo com a minha cria! A modos que se for preciso têm de ralhar com o bichinho e ajudar na educação!)


