quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Palpites em frasquinhos


Durante a nossa vida vamos conhecendo pessoas e grande parte delas começam a fazer parte da nossa rotina. Há aquelas que não conseguimos viver sem, há as outras que só pedem uma mordaça ou rolos de fita cola grossa a tapar a boca, há aquelas que não aquecem nem arrefecem e que não nos lixam o cérebro.

Quando nos tornamos mães, acho eu cá 'cos meus neurónios assim meio que já todos gastos, passamos a ver as pessoas de forma diferente sempre que as mesmas se referem a um assunto que é nosso mas que em cliché geral "são do mundo" : os nossos filhos.
Então damos por nós a catalogar estes seres fofos que volta e meia parece que se escapam cada um de seu frasco com vida própria e achando que a opinião deles é fulcral para esta coisa da maternidade. (Calhando seja melhor sublinhar desde já "pessoas, eu sei que a maioria não faz por mal e sei que não têm qualquer intenção maldosa".)
Então, chegando a vias de facto, temos os seguintes frasquinhos com a seguinte disposição:


1) Os QM (Quase Médicos) - estas pessoas são quase doutoradas em pediatria com mais não-sei-quantas especialidades disto e daquilo. Se o teu filho tosse, diagnosticam de imediato uma constipação. Se o teu filho tem mais que três borbulhitas, avizinha-se uma varicela. E por aí em diante, tem tudo para ires a correr de imediato a um médico ou quiçá, pedires logo a receita para a coisa a essa pessoa porque também deve ser eficaz.

2) Os Agoirentos - este lote está cheio de pessoas que, em conjunto com os QM, vão pintar o pior cenário. Não é bom o menino andar com uma blusa tão fininha, não é recomendável o menino comer papas porque tem tendência a engordar, não é normal o menino ainda não falar porque pode significar que o desenvolvimento oral está atrasado, não é bom que não coma sempre sopa porque a dita tem os nutrientes para um crescimento saudável. Etc etc etc.

3) Os Permissivos - eu, pessoalmente, gosto da coisa do q.b. e sou apologista do "nem 8 nem 80". Os permissivos encaixam-se no 8 e.. Raios parta, não digam a uma mãe "deixa-o fazer isto", "deixa-o fazer aquilo", "não sejas tão rígida com a criança". Gente do meu coração, vocês não dão a criança à mãe assim que ela começa a rabiar? Então, deixem lá a mãe ralhar e pôr ordem na cria quando e como lhe apetecer. De nalgadas ainda não falo porque até ver, ainda não precisou de nenhuma.

4) Os Abusivos - como vão perceber, 'tá de caras que estes são o oposto dos permissivos. Estes são os "80"! Quando digo abusivos, abusam da paciência dos putos e, inclusive e reforçado, da da mãe. Não apertem as crianças com beijos e abraços se elas não querem nem se sentem bem com isso. Não ofereçam nada aos putos sem perguntar à mãe. Não falem como se fossem a mãe em contexto algum. Não a vão substituir nem que se pintem e, a meu ver, é a figura maternal que as crianças devem ter em conta aquando de qualquer situação. Deve ser a mãe a ralhar, a confortar, a gabar-se (sim!) dos seus filhos. Cada macaco no seu galho, capiche?

5) As Comparativas - tinham de vir né? Então os filhos destas pessoas na altura pesavam mais, falavam fluentemente o português e mais uma ou duas línguas e contavam até 20! O Tomé diz um "três" muito envergonhado quando nos pomos a contar ao pé dele e vá lá vá lá. Muito sabe ele que o três vem a seguir ao dois e antes do quatro. Os filhos das comparativas fazem tudo melhor que os nossos e nós ficamos mesmo com aquela cara de alface a pensar "já chega ou vale a pena sentar e tomar uma xícara de chá??"

(Vale a pena repetir que o que escrevo não é baseado na íntegra na minha realidade. Generalizo e não escrevo diretamente para ofender ninguém. Não levo a mal nada do que me dizem porque... a cara de alface está cá quando é preciso!)

(Mais uma nota em jeito de PS: isto não vale para o pai, para a ama nem para a minha mãe que são as três pessoas que passam mais tempo com a minha cria! A modos que se for preciso têm de ralhar com o bichinho e ajudar na educação!)



segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Com a mãe, sem favor.


Estar doente é lixado mas os miúdos estarem doentes é lixado ao quadrado. E desta saga poderia escrever muita coisa que tinha pano para mangas!

O Tomé, no espaço de um mês e pouco, esteve doente pela segunda vez! É algo que não consigo controlar embora todos os dias tomemos as devidas precauções.

No seguimento da coisa, há algo que importa acima de tudo: um filho doente precisa da mãe! Não há mais ninguém que a substitua por muito queridas que sejam as pessoas que nos rodeiam.
Ficar em casa para cuidar do filho é algo que parece quase anormal aos olhos de quem não os tem ou de quem não percebe porque o fazemos. Ficar em casa para cuidar dos filhos implica perder dias de férias ou requer uma declaração do médico de família para que assim esteja justificada a falta da mãe e a necessidade de acompanhamento desta à sua cria.
Ficar em casa para cuidar dos filhos é, para muitos, quase um crime porque:
- o puto já se sabe desenrascar sozinho
- a avó sabe muito bem o que fazer porque já criou os filhos dela e sabe como é
- pagamos às amas e às escolas para terem lá os miúdos
- agora tudo é doença, nesta altura já se sabe
- isso é só uma pequena constipação, não é preciso tanta preocupação
- isso é só mariquices, estás a criar uma flor de estufa.


Caríssimos, muitos de vós que acham isto... pior, não chegam a dizer a quem de direito mas dizem à vizinha da casa de esquina (o que mostra ainda mais que a vossa diarreia cerebral é gravíssima!).. Só podem ser umas bestas autênticas! Com franqueza.. Para tudo há direitos e deveres, por isso, expliquem lá a uma mãe algo que vai contra natura? Expliquem lá a uma mãe que tem de ir trabalhar quando tem os miúdos doentes!! Expliquem e se conseguirem.. Parabéns! (Aposto que não conseguem! Sim, adoro desmoralizar, mas só quando sei que ganho 1000 a 0!)😊

Não é a avó nem a tia nem a cunhada nem a ama nem o raio que parta que tem de ficar com os miúdos quando eles adoecem. São as mães! E como se diz na Cuba, #CDM!
🤷‍♀️


quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Xôô à culpa

Culpamo-nos de tudo porque é mesmo assim. A raça humana é esquisita, exigente.
Culpamo-nos logo desde pequenos quando o outro colega já sabe fazer o "H" maiúsculo em condições e nós andamos ali às voltas sem saber que curva possamos melhorar. Culpamo-nos quando a amiga já teve o seu primeiro namorado e nós ainda preferimos usar boné ou brincar.
Culpamo-nos por não ter conseguido aquela nota para entrar no curso de sonho e a vizinha conseguiu entrar para onde queria. 
Culpamo-nos por ter chumbado no código ou na condução e aquela amiga conseguiu tudo logo à primeira. 
Culpamo-nos por a prima já estar casada e ter filhos e nós ainda nos estamos a tentar orientar.
Culpamo-nos pelo nosso filho não dormir as noites todas e o da Maria aqui do lado dormir literalmente  "como um bebé". 
Culpamo-nos por não termos conseguido amamentar e ver a filha da amiga a mamar sempre que quer.
Culpamo-nos pelo miúdo ter o rabo assado, não devíamos ter utilizado toalhitas ou devíamos ter tido mais atenção porque isso é do nascimento dos dentes. 
Culpamo-nos por hoje não ter feito almoço e o puto ter papado um Nestum delicioso mas, segundo as fundamentalistas, cheio de açúcar e familiares. 
Culpamo-nos por não dar a atenção merecida ao namorado, marido ou namorido e ele reclamar que só temos olhos para os miúdos. 
Culpamo-nos porque deixámos a roupa para passar a ferro e porque é de bom tom que as camisas do homem estejam nas devidas condições. 
Culpamo-nos pelas birras do miúdo quando pensamos que o filho da outra não as faz. 
Porra. Estou cansada só de escrever isto e de tanta culpa à mistura. 
Que se lixe a dita! Não me vou culpar por hoje não levar o Tomé a passear e por não ter ido fazer o que tinha pensado ontem fazer. Vou beber uma caneca cheia de café com leite e barrar duas fatias de pão alentejano com manteiga ou tulicreme, já se vê!
A culpa? Vou tentar abstrair-me dela pelos 365 dias que me esperam!
Não se culpem, darlings. E, já diz e bem a senhora minha mãe "Sejam sempre felizes!".