Sete meses e uma semana depois, continuamos nesta primeira viagem entre mãe e filho, entre o mundo e o filho, entre os outros e o filho, entre tudo e o filho. Tornou-se mesmo a minha prioridade e oxalá pudesse eu estar mais tempo com ele!
Nestes sete meses tenho sentido que isto da maternidade tem muito que se lhe diga! Meu Deus, como existe competição entre mães!! União e compreensão - não seria o suposto?
Fala-se de tudo e mais alguma coisa e ninguém (exceto a nossa mãe, e às vezes temos também de a contrariar!) compreende que as decisões são da mãe, e isto inclui aquelas que já foram mães uma, duas, três vezes!
Respeite-se, portanto:
- a mãe que teve enjoos durante a gravidez e aquela que não teve (o meu caso!). Nós, criaturas que sofremos de alterações físicas, emocionais, mil e um ossos a alargar, órgãos que se têm de ajeitar à instalação do ser pequenino, que ficamos com o peito tipo dois melões, os pés que incham (e isto piora se os últimos meses de gravidez forem no verão) e ficas como que uma "mini elefantezinha" a caminhar, etc e tal - não merecemos que nos digam "A minha gravidez não foi nada como a tua" ou "Ai estás sempre enjoada!". Acreditem, isto ferve com o nervoso miudinho de uma pessoa!
- a mãe que pare de método natural e a mãe que, por uma questão ou outra, escolhe ou não consegue evitar parir por cesariana. Vai doer depois de qualquer das maneiras. O corpo é mexido, é um bebé que sai dali, o organismo sofre alterações e nós, não, não somos de ferro! Para além disso, com epidural ou não, somos livres de escolher a forma como queremos parir os moços e, graças a Deus, a medicina tem evoluído, em grande parte, para melhor.
- a mãe que consegue amamentar e a mãe que não consegue ou não quer. E aqui, toca-me na ferida!
A amamentação não é um processo fácil, pelo menos para mim, não foi. A amamentação não tem de doer e, acreditem, a maior parte das pessoas pensa que no início todas as dores são normais porque a mama tem que "ganhar calo". Não, a amamentação não dói, não deve doer. Se doer, há que ver o que está mal. Dei mama três meses e acreditava que era normal porque o Tomé ainda estava a aprender. E claro, que não ganhei "calo" nenhum. O que estava mal? A pega do Tomé que era péssima, a colocação da boca que não acertámos nem conseguimos corrigir de maneira nenhuma porque, simplesmente, o Tomé não conseguiu. Acredito que uma mãe que ofereça a mama e uma mãe que ofereça um biberão sejam iguais na forma de amar e não me venham dizer o contrário. Passo-me quando vejo extremismos da sociedade como se as mães que não amamentam sejam piores. Poupem-me! Eu gostava, obviamente, de ter amamentado o Tomé muito mais tempo. Demorei a aceitar e a porra dos extremismos jogaram-me um pouco abaixo e fizeram com que me sentisse durante algum tempo uma má mãe. Quando me diziam "Ai a minha filha/o meu filho tem a maminha dela/dele. Pena o teu já não ter".. uii aquilo soava-me a afronto... mas calava-me. Concluí que ninguém me compreendia. Até que percebi que eu e o Tomé fomos heróis durante aqueles três meses e, mesmo cheia de feridas, insistimos em dar o nosso melhor. Só não se virem para mim do género "Tem maminha?" porque a resposta será clara "Sim, tenho as duas no sítio e, volvidos quatro meses sem amamentar, ainda pingam!". Note-se que sou a favor da amamentação até o bebé e a mãe quererem e admiro muito as mamãs que amamentam 3 meses, 6 meses, 1 ano, 3 anos, o que for!
- a mãe que prefere passear o bebé no carrinho e a mãe que pratica babywearing. São ambas ótimas mães ok? Tanto uma prática como a outra têm as suas vantagens e ambas válidas, a meu ver. Carregamos nove meses o nosso bebé dentro de nós e cá fora, certamente, não lhe vai faltar colinho. Se ainda eu hoje com 25 anos no lombo ainda gosto do colo da minha mãe, não tenho dúvidas que, carregando um bebé num sling, pano, etc. ou levá-lo a passear no carrinho, seja um fator que defina a ligação mãe-filho.
- a mãe que adota uma alimentação complementar por método tradicional e uma mãe que adota BLW (como falei no post anterior). Aqui, o foco passa por respeitar a forma como o bebé se adapta à introdução da alimentação complementar. Se o Tomé não gostasse de praticar o BLW em casa, obviamente que teria de me jogar a tachos e panelas ou, eventualmente, comprar uma Bimby para fazer sopas e papinhas deliciosas (como a minha mãe lhe faz e que até eu gosto!).
- a mãe que pratica co-sleeping e a mãe que prefere que o filho durma na caminha dele. Eu opto pelo misto e o Tomé tanto dorme no ninho (dentro da cama dele) ou connosco (pais). Para ambos os cenários há que ter sempre atenção determinados fatores que zelem pela segurança do "piqueno". Sempre!
Poderia continuar a enumerar aqui "n" cenários, como é o caso da chucha (e o Tomé ama aquela coisinha de silicone que o conforta tanto!), como é o caso de comer de tudo, como é o caso de beber ainda muito leite, como é o caso de não usar sapatos até saber andar. Mas a resposta é simples: a mãe é que sabe.
A minha mãe pariu-me por cesariana (e com anestesia geral - significa que não me viu a nascer, sequer!), não me amamentou, não fez babywearing, começou a dar-me sopita e papinhas no auge dos meus quatro meses e metia-me a dormir na caminha onde agora o Tomé dorme a sua bela sesta (e grata que lhe estou, porque diga-se de passagem que o meu pai ressona e bem!) e eu tenho com ela a maior ligação de amor, respeito, amizade, união e todas as coisitas boas que devemos partilhar com as nossas mamãs! E amo-a, IMENSO!
Para mães que julgam outras mães ou se gabam a si mesmas - não estamos numa competição maternal para ver qual é a melhor nem a pior. Gabe o seu filho, diga-lhe todos os dias que o ama e não o compare com os das outras!
Para ti, que estás a ler este post e não és mãe - quando não souberem se o que vão dizer ajudará uma mãe, pensem melhor antes de falar!
Para ti, que estás a ler este post e estás grávida ou és mãe, acredita - és a melhor mãe que o teu filho pode ter!

