segunda-feira, 22 de abril de 2019

Liberdade.


Falar em liberdade é vago, mas comum. Não é raro dizermos que gostávamos de ser livres como um pássaro, que em muitas fases da vida, gostaríamos de ser livres seja de que maneira for.
Há quem deseje ser livre de uma relação que o prende apenas porque sim ou porque aos olhos dos outros parece bem, há quem deseje ser livre do trabalho que já não o realiza, há quem deseje ser livre de culpas que o atormentam há tempos, há quem deseje ser livre dos compromissos da vida para partir rumo a um sonho de infância, há quem deseje ser livre só porque sim.
A liberdade é vaga mas, pessoalmente, começa em nós próprios e no respeito para com quem e o que nos rodeia. A liberdade é vaga mas termina sempre que deixamos de ser nós mesmo, termina quando a usamos para algo que não acrescenta nem a nós nem aos outros.
Há quem deseje ser livre como uma criança. Porque o coração de uma criança é puro e porque, no fundo, não há nada que nos dê mais asas do que a infância! ❤️
Sê livre, Tomé. E se te pedir para seres sempre meu, espero que não te tire a liberdade de seres sempre feliz 😊 E voa, o voo que sonhares!



quinta-feira, 11 de abril de 2019

Por vezes.


Por vezes...
Quando adormeces o teu filho e voltas para arrumar a cozinha, a sala, apanhar roupa, estender outra tanta, preparar as coisas do dia seguinte e, por fim, te sentas no sofá a pensar que já não podes estar ali muito tempo porque mais umas horas e o despertador estará a tocar...
Por vezes...
Quando o teu filho joga tudo ao chão, faz birras por tudo e por nada, não quer comer o que com tanto amor preparaste para o jantar ou se suja já depois do banho e pijama vestido...
Por vezes...
Quando não consegues sair a horas do trabalho, chegas a casa estafada, tens de fazer o jantar e no outro dia tens de entrar ao serviço a horas em que o sol ainda descansa...
Por vezes...
Sentes-te a pior mãe do mundo, eu sei.
Sentes que nada do que fazes parece valer a pena.
Sentes que o teu filho não te ouve e que tudo pode correr mal.
Sentes que a paciência se está a esgotar mas que se gritares vais passar das marcas.
Sentes que nem tudo é como pensavas.
Por vezes...
Também desabas, choras, gritas, queres um refúgio para desabafar.
Tens tanto direito a isso! Acredita!
Não só às vezes mas sempre... 
Lembra-te que és a melhor mãe que o teu filho pode ter. Foi o teu filho que te escolheu. E que sorte, que bênção esse amor! ❤️






quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Palpites em frasquinhos


Durante a nossa vida vamos conhecendo pessoas e grande parte delas começam a fazer parte da nossa rotina. Há aquelas que não conseguimos viver sem, há as outras que só pedem uma mordaça ou rolos de fita cola grossa a tapar a boca, há aquelas que não aquecem nem arrefecem e que não nos lixam o cérebro.

Quando nos tornamos mães, acho eu cá 'cos meus neurónios assim meio que já todos gastos, passamos a ver as pessoas de forma diferente sempre que as mesmas se referem a um assunto que é nosso mas que em cliché geral "são do mundo" : os nossos filhos.
Então damos por nós a catalogar estes seres fofos que volta e meia parece que se escapam cada um de seu frasco com vida própria e achando que a opinião deles é fulcral para esta coisa da maternidade. (Calhando seja melhor sublinhar desde já "pessoas, eu sei que a maioria não faz por mal e sei que não têm qualquer intenção maldosa".)
Então, chegando a vias de facto, temos os seguintes frasquinhos com a seguinte disposição:


1) Os QM (Quase Médicos) - estas pessoas são quase doutoradas em pediatria com mais não-sei-quantas especialidades disto e daquilo. Se o teu filho tosse, diagnosticam de imediato uma constipação. Se o teu filho tem mais que três borbulhitas, avizinha-se uma varicela. E por aí em diante, tem tudo para ires a correr de imediato a um médico ou quiçá, pedires logo a receita para a coisa a essa pessoa porque também deve ser eficaz.

2) Os Agoirentos - este lote está cheio de pessoas que, em conjunto com os QM, vão pintar o pior cenário. Não é bom o menino andar com uma blusa tão fininha, não é recomendável o menino comer papas porque tem tendência a engordar, não é normal o menino ainda não falar porque pode significar que o desenvolvimento oral está atrasado, não é bom que não coma sempre sopa porque a dita tem os nutrientes para um crescimento saudável. Etc etc etc.

3) Os Permissivos - eu, pessoalmente, gosto da coisa do q.b. e sou apologista do "nem 8 nem 80". Os permissivos encaixam-se no 8 e.. Raios parta, não digam a uma mãe "deixa-o fazer isto", "deixa-o fazer aquilo", "não sejas tão rígida com a criança". Gente do meu coração, vocês não dão a criança à mãe assim que ela começa a rabiar? Então, deixem lá a mãe ralhar e pôr ordem na cria quando e como lhe apetecer. De nalgadas ainda não falo porque até ver, ainda não precisou de nenhuma.

4) Os Abusivos - como vão perceber, 'tá de caras que estes são o oposto dos permissivos. Estes são os "80"! Quando digo abusivos, abusam da paciência dos putos e, inclusive e reforçado, da da mãe. Não apertem as crianças com beijos e abraços se elas não querem nem se sentem bem com isso. Não ofereçam nada aos putos sem perguntar à mãe. Não falem como se fossem a mãe em contexto algum. Não a vão substituir nem que se pintem e, a meu ver, é a figura maternal que as crianças devem ter em conta aquando de qualquer situação. Deve ser a mãe a ralhar, a confortar, a gabar-se (sim!) dos seus filhos. Cada macaco no seu galho, capiche?

5) As Comparativas - tinham de vir né? Então os filhos destas pessoas na altura pesavam mais, falavam fluentemente o português e mais uma ou duas línguas e contavam até 20! O Tomé diz um "três" muito envergonhado quando nos pomos a contar ao pé dele e vá lá vá lá. Muito sabe ele que o três vem a seguir ao dois e antes do quatro. Os filhos das comparativas fazem tudo melhor que os nossos e nós ficamos mesmo com aquela cara de alface a pensar "já chega ou vale a pena sentar e tomar uma xícara de chá??"

(Vale a pena repetir que o que escrevo não é baseado na íntegra na minha realidade. Generalizo e não escrevo diretamente para ofender ninguém. Não levo a mal nada do que me dizem porque... a cara de alface está cá quando é preciso!)

(Mais uma nota em jeito de PS: isto não vale para o pai, para a ama nem para a minha mãe que são as três pessoas que passam mais tempo com a minha cria! A modos que se for preciso têm de ralhar com o bichinho e ajudar na educação!)



segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Com a mãe, sem favor.


Estar doente é lixado mas os miúdos estarem doentes é lixado ao quadrado. E desta saga poderia escrever muita coisa que tinha pano para mangas!

O Tomé, no espaço de um mês e pouco, esteve doente pela segunda vez! É algo que não consigo controlar embora todos os dias tomemos as devidas precauções.

No seguimento da coisa, há algo que importa acima de tudo: um filho doente precisa da mãe! Não há mais ninguém que a substitua por muito queridas que sejam as pessoas que nos rodeiam.
Ficar em casa para cuidar do filho é algo que parece quase anormal aos olhos de quem não os tem ou de quem não percebe porque o fazemos. Ficar em casa para cuidar dos filhos implica perder dias de férias ou requer uma declaração do médico de família para que assim esteja justificada a falta da mãe e a necessidade de acompanhamento desta à sua cria.
Ficar em casa para cuidar dos filhos é, para muitos, quase um crime porque:
- o puto já se sabe desenrascar sozinho
- a avó sabe muito bem o que fazer porque já criou os filhos dela e sabe como é
- pagamos às amas e às escolas para terem lá os miúdos
- agora tudo é doença, nesta altura já se sabe
- isso é só uma pequena constipação, não é preciso tanta preocupação
- isso é só mariquices, estás a criar uma flor de estufa.


Caríssimos, muitos de vós que acham isto... pior, não chegam a dizer a quem de direito mas dizem à vizinha da casa de esquina (o que mostra ainda mais que a vossa diarreia cerebral é gravíssima!).. Só podem ser umas bestas autênticas! Com franqueza.. Para tudo há direitos e deveres, por isso, expliquem lá a uma mãe algo que vai contra natura? Expliquem lá a uma mãe que tem de ir trabalhar quando tem os miúdos doentes!! Expliquem e se conseguirem.. Parabéns! (Aposto que não conseguem! Sim, adoro desmoralizar, mas só quando sei que ganho 1000 a 0!)😊

Não é a avó nem a tia nem a cunhada nem a ama nem o raio que parta que tem de ficar com os miúdos quando eles adoecem. São as mães! E como se diz na Cuba, #CDM!
🤷‍♀️


quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Xôô à culpa

Culpamo-nos de tudo porque é mesmo assim. A raça humana é esquisita, exigente.
Culpamo-nos logo desde pequenos quando o outro colega já sabe fazer o "H" maiúsculo em condições e nós andamos ali às voltas sem saber que curva possamos melhorar. Culpamo-nos quando a amiga já teve o seu primeiro namorado e nós ainda preferimos usar boné ou brincar.
Culpamo-nos por não ter conseguido aquela nota para entrar no curso de sonho e a vizinha conseguiu entrar para onde queria. 
Culpamo-nos por ter chumbado no código ou na condução e aquela amiga conseguiu tudo logo à primeira. 
Culpamo-nos por a prima já estar casada e ter filhos e nós ainda nos estamos a tentar orientar.
Culpamo-nos pelo nosso filho não dormir as noites todas e o da Maria aqui do lado dormir literalmente  "como um bebé". 
Culpamo-nos por não termos conseguido amamentar e ver a filha da amiga a mamar sempre que quer.
Culpamo-nos pelo miúdo ter o rabo assado, não devíamos ter utilizado toalhitas ou devíamos ter tido mais atenção porque isso é do nascimento dos dentes. 
Culpamo-nos por hoje não ter feito almoço e o puto ter papado um Nestum delicioso mas, segundo as fundamentalistas, cheio de açúcar e familiares. 
Culpamo-nos por não dar a atenção merecida ao namorado, marido ou namorido e ele reclamar que só temos olhos para os miúdos. 
Culpamo-nos porque deixámos a roupa para passar a ferro e porque é de bom tom que as camisas do homem estejam nas devidas condições. 
Culpamo-nos pelas birras do miúdo quando pensamos que o filho da outra não as faz. 
Porra. Estou cansada só de escrever isto e de tanta culpa à mistura. 
Que se lixe a dita! Não me vou culpar por hoje não levar o Tomé a passear e por não ter ido fazer o que tinha pensado ontem fazer. Vou beber uma caneca cheia de café com leite e barrar duas fatias de pão alentejano com manteiga ou tulicreme, já se vê!
A culpa? Vou tentar abstrair-me dela pelos 365 dias que me esperam!
Não se culpem, darlings. E, já diz e bem a senhora minha mãe "Sejam sempre felizes!".


quinta-feira, 29 de novembro de 2018

(mãe e filho) fomos.seremos.


Fui a mãe que recebeu o positivo do teste com um misto de sensações. Fui a mãe sortuda que não teve enjoos mas a que teve um ataque quando as primeiras calças deixaram de servir. Fui a mãe que se viu sem barriga até aos 7 meses de gestação e a mãe que, de um momento para o outro, em pleno verão começou a andar como os pinguins. Fui a mãe que não sabia o que eram as contrações e a mãe que, cuidadosa e religiosamente, quando as começou a contar já as maganas estavam de 5 em 5 minutos. Fui a mãe que pariu de óculos e tremia "que nem varas verdes" e a mãe que sorriu quando a enfermeira te colocou perto de mim e te disse "diga Bom Dia com Mokambo". Fui a mãe que chorou sozinha quando tomou o primeiro banho pós parto no hospital e a mãe que queria ali a sua mãe bem perto. Fui a mãe que não sabia amamentar e a mãe que ouviu que tinha de doer. Fui a mãe que não sabia trocar uma fralda e a mãe que pediu ao pai para ser ele a dar-te o primeiro banho. Fui a mãe que não queria passar as noites sozinha na maternidade e a mãe que logo na primeira adormeceu contigo lado a lado. Fui a mãe que não sabia o que fazer aquando da subida do leite e fui a mãe que suportou as dores pelo facto de nunca teres aprendido a mamar (dor física que não penses que doeu mais do que a dor de uma mãe que pensava ser inferior a todas as outras). Fui a mãe que chorou no ombro do pai de cada vez que me julgava falhada e fui a mãe que ouviu o pai quando ele me disse que para tu estares bem eu também tinha de estar. Fui a mãe que gastou dinheiro em latas de leite e a mãe que preparou cada biberão com o maior amor do mundo. Fui a mãe que não pregou olho muitas noites e a mãe que se deu por feliz por, em grande parte delas, seres um bebé sossegado. Fui a mãe que te deu a conhecer os alimentos de forma diferente mas a mãe que sabe que adoras sopas. Fui a mãe que te deu colo e a mãe que muitas vezes está tão cansada que tem de dar uso ao carrinho ou à aranha. Fui a mãe que te apoiou nos primeiros passos e a mãe que continua a ajudar até saberes andar sozinho. Fui a mãe que pediu ao pai para em algumas noites ser ele a dormir mais perto de ti e a mãe que, a meio de todas as noites, te deixa vir para junto de nós. Fui a mãe que te deixou adormecer a mexeres-me nas orelhas e a mãe que continua a detestar que me mexam no cabelo. Fui a mãe que enrolou frases e parágrafos e afins para evitar a palavra "Não" e ser positiva e a mãe que, ao ver-te a subir escadas sozinho gritou "Tomé, não quero que vás para as escadas!". Fui a mãe que já te ofereceu uma Bolacha Maria e a mãe que não dispensa fazer umas panquecas saudáveis para o nosso lanche. Fui a mãe que ficou contigo em casa nas tardes de chuva e a mãe que te levou ao parque para andares de escorrega (gostas tanto!). Fui a mãe que apostou na tua segurança e fez um mealheiro para te comprar uma boa cadeirinha mas a mãe que, mesmo sem mealheiro feito, foi capaz de gastar mais uns trocos num pijama fofinho ou numas leggings coloridas. Fui a mãe que prometeu não demorar e a mãe que, raramente, consegue sair suficientemente cedo para te cumprir o prometido. Fui a mãe que teve de se levantar de madrugada e deixar-te a dormir e a mãe que, antes de fechar a porta do quarto, olha mais uma vez para ti e diz baixinho o quando te ama. Fui e continuarei a ser essa mãe. Fui a mãe que mostra o lado negro da maternidade mas que quando quer é a maior lamechas do mundo!

Com tudo e mais alguma coisa. Por vezes, até mesmo sem (quase) nada. Imperfeita. Indecisa. Apaixonada pela tua infância e tudo o que este teu crescimento tem trazido. Fui e serei sempre a tua mãe. És e serás sempre o meu Tomé. Fomos e seremos sempre um do outro. 

(PS: Nada disto me tira o apetite de, por vezes, o entregar ao vizinho por umas horas. Só naqueles momentos claríssimos em que a maternidade consciente se esgota, está claro!)




segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Puerpério... (conheci-te!)

É preciso, se não urgente, desmistificar o pós-parto, o tão conhecido puerpério. Podia ter feito uma pesquisa mais elaborada e dizer que, segundo alguns estudos, o puerpério pode durar determinado tempo, isto, aquilo e o outro mas prefiro falar por experiência própria. Afinal, quem carrega as nossas dores para além de nós mesmos? Ninguém! Dizem-nos que também já passaram por aquilo, que sabem bem o que é e, pessoalmente, acredito que existam situações piores - existem sempre pessoas piores que nós - mas essa comparação não ameniza, não acalma. As nossas dores somos nós próprios que as carregamos!

Durante a gravidez do Tomé, confesso que andava às escuras. Um mundo novo, novas descobertas, os receios e ansiedades, expetativas, o medo do desconhecido. Admito que pensava que não seria tão difícil. Como admito que era impensável amar alguém como o amo.

As aulas e apoio na área de saúde materna são excelentes e nisso tive sorte em conhecer a enfermeira Solange - grande profissional e muito mas muito humana - e ainda hoje me recordo tão bem das suas palavras: "acreditem que o que custa mais no meio disto tudo não é o parto mas sim o pós-parto". Estava certa, Solange! Foi mesmo!
Arrisco-me a dizer que o parto do Tomé foi algo que em nada me custou (bendita epidural!).. portanto, o que podia querer eu?
Queria que o que viesse a seguir não tivesse custado tanto.
Bolas, eu estava às escuras, em tudo!
Não sabia como amamentar um bebé, não sabia reconhecer, de imediato, os diferentes choros e quais seriam as suas queixas, não sabia nada!
Será agora a parte em que dizem que o tempo traz experiência, que os erros nos ensinam, que ser mãe é mesmo isso. Sim, eu aceito. Mas na altura, os comentários não apoiaram.
Foi no pós-parto e depois de algumas coisas terem corrido menos bem que me dediquei a pesquisar. Foi depois da amamentação de três meses ter falhado que aprendi mais sobre o assunto. Foi depois de ter passado noites sem dormir e a ouvir o Tomé chorar que percebi se eram cólicas, calor, fome. Sim, foi o tempo que me trouxe aprendizagens e hoje, sinto-me mais capaz!
Mas bolas.. O puerpério é lixado! Confesso que a única pessoa que eu queria naquela altura era a minha mãe. Queria abraçá-la e não a queria largar por nada deste mundo. Naquela altura não há namorado, irmã, irmão, tia, prima, sogra, amiga que te valham! São todos uns queridos e damos uns sorrisos na maternidade nas horas de visita mas o que vai cá dentro é "gente, não se demorem aqui. Vão mas é chamar a minha mãe.". Mas isto, sou só eu a falar. Experiência própria, mais uma vez. E contra mim falo porque tenho sempre a certeza que a minha mãe cura tudo e só ainda não me foi diagnosticada Síndrome de Peter Pan porque porque.. Mas, já que falo por mim, não posso deixar de dizer:

Não romantizem uma fase que custa, não banalizem as dores de uma recém mãe, não digam que "daqui a um ano estás pronta para outro" quando uma mulher se custa, inclusive, a sentar depois do seu corpo ter sido totalmente mexido; não digam a uma mãe "o teu leite é fraco" quando a única coisa que o bebé conhece é o corpo da mãe e, normalidade das normalidades, vai querer mamar por tudo e por nada; não digam a uma mãe "coitadinho do bebé, experimenta dar mama só mais uma vez. Tens de ganhar calo na mama" quando a própria sabe, efetivamente, que já fez tudo o que podia para amamentar e não consegue mais porque tem conhecimento que dar de mamar não deve doer; não tirem os bebés do colo da mãe quando o cheiro materno é o único que eles querem; desenhem uma maternidade a cores mas não se esqueçam do lado que dói, não se esqueçam que também o lápis cinzento faz parte dessa pintura. 
Ajudem, compreendam mas não insistam, não condenem, não peçam justificações. Dêem espaço para conhecermos os bebés e para eles nos conhecerem, para assentarmos os pés na terra, para darmos tempo ao nosso corpo, para entendermos todos os processos que acontecem connosco. Terão tempo para estar com os pequenos, depois. Deixem os pais e os bebés aprenderem a serem um só, aprenderem a ser uma equipa. Acreditem que há pessoas que nos fazem sentir como se tivéssemos servido apenas como parideiras e isso.. Não ajuda! Acreditem que quando chegam a nossas casa e nos oferecem palpites que em nada acrescentam, os famosos bitaites, as típicas frases feitas - dá vontade de vos levar, gentilmente, para a porta por onde entraram. Vão ler isto e pensar que sou exagerada ou, talvez, uma besta, mas acredito que, ainda que em silêncio, muitas vão concordar com isso. E é disso que precisamos. Que digam as coisas, que não se calem, que parem de usar só o lápis cor de rosa, que se acabem os fundamentalismos e extremismos e comparações que mais parecem campos de batalha.
Acreditem que uma mãe, no puerpério, precisa de tempo e espaço. 
Se nem o sol brilha sempre, porque é que nós, mães, seríamos diferentes?!
Somos sempre as melhores para os nossos filhos mas..também precisamos de ser cuidadas.