Nem só da mãe e do Tomé pode ser este blog se não falarmos nas pessoas, animais ou coisas que por nós passam
Hoje falo do Fofinho.
Há 17 anos, o nosso Pongo foi atropelado e o senhor que, sem querer, cometeu esse acto, prontificou-se para nos amenizar a dor e ofereceu-nos um cachorrinho pequenino, branquinho, lindo e fofo. Daí não termos tido dúvidas aquando da escolha do nome. Ficou Fofinho. E foi. Sempre foi.
O Fofo, como assim lhe chamávamos, teria cerca de 1 mês e pouco quando chegou a nossa casa. Estávamos em Dezembro por isso escolhemos que a sua data de nascimento seria então em Outubro, dia 4, Dia Do Animal.
O Fofo portava-se mal mas qual não é a criança que o faz?? Fazia xixi em casa e só gostava de dormir no quarto dos meus pais. Roía as coisas todas e ainda nos pedia comida durante o almoço ou jantar.
O Fofo portava-se mal mas olhava para nós em jeito de pedir desculpa e isso tornava tudo melhor.
O Fofo subia a parede do terraço e ladrava a quem passava na travessa. Não gostou lá muito da ideia de partilhar o quintal com mais dois bichanos mas sempre os aceitou.
As otites e as feridas que criava eram constantes, por muito bem tratado que fosse. E era! A minha mãe cuidou dele todos os dias desde que chegou e, por muito que se passasse com as asneiras, eu sei que ela gostava imenso dele. Quiçá a que por ele lhe teria mais amor!
Em todos os momentos vividos estes 17 anos, o Fofo esteve lá. Conheceu ainda os avós e criou uma ligação muito forte com a avó Bertília. Conheceu os meninos, a primeira palavra que o Tomé disse foi "cão" porque o via todos os dias e porque, mesmo velhote, às vezes, era o que tinha mais paciência para ele.
Tomar uma decisão assim é difícil, dói muito a quem passou todos estes anos ao lado de um bom e fiel companheiro. Ainda ontem o António João me perguntava porque custava tanto!! Eu respondi-lhe que tudo o que nos deixa saudade boa, todos aqueles que nos deixam memórias, são quem nos custa mais perder. Hoje o Tomás perguntou se era mesmo verdade e eu tive de lhe explicar, ainda que suavemente, o que era a perda de algo ou alguém assim tão especial.
Hoje tivemos de deixar o Fofo e o Fofo teve de nos deixar. Fisicamente.
Abracei-o, dei um beijinho naquele pêlo emaranhado e olhei-o nos olhos Despedi-me dele com o maior amor do mundo. Tanto quanto aquele que sentimos por ele. Agradeço a sua presença na nossa vida. Pedi desculpa pelo tempo que tivemos de nos ausentar. Disse que gostávamos todos muito dele e que o sofrimento não podia continuar. Pedi que olhasse por nós.
Chorei. Chorámos todos. Os "caqueiros" da água e da ração estão no mesmo sítio.
Estarás sempre presente por aqui, Fofinho. Pertences à nossa cooperativa.
Gostamos muito de ti, velho amigo.
