quarta-feira, 26 de setembro de 2018

O Nosso Fofinho. Com amor.

Nem só da mãe e do Tomé pode ser este blog se não falarmos nas pessoas, animais ou coisas que por nós passam  
Hoje falo do Fofinho. 
Há 17 anos, o nosso Pongo foi atropelado e o senhor que, sem querer, cometeu esse acto, prontificou-se para nos amenizar a dor e ofereceu-nos um cachorrinho pequenino, branquinho, lindo e fofo. Daí não termos tido dúvidas aquando da escolha do nome. Ficou Fofinho. E foi. Sempre foi.

O Fofo, como assim lhe chamávamos, teria cerca de 1 mês e pouco quando chegou a nossa casa. Estávamos em Dezembro por isso escolhemos que a sua data de nascimento seria então em Outubro, dia 4, Dia Do Animal.
O Fofo portava-se mal mas qual não é a criança que o faz?? Fazia xixi em casa e só gostava de dormir no quarto dos meus pais. Roía as coisas todas e ainda nos pedia comida durante o almoço ou jantar.
O Fofo portava-se mal mas olhava para nós em jeito de pedir desculpa e isso tornava tudo melhor.
O Fofo subia a parede do terraço e ladrava a quem passava na travessa. Não gostou lá muito da ideia de partilhar o quintal com mais dois bichanos mas sempre os aceitou. 

As otites e as feridas que criava eram constantes, por muito bem tratado que fosse. E era! A minha mãe cuidou dele todos os dias desde que chegou e, por muito que se passasse com as asneiras, eu sei que ela gostava imenso dele. Quiçá a que por ele lhe teria mais amor! 

Em todos os momentos vividos estes 17 anos, o Fofo esteve lá. Conheceu ainda os avós e criou uma ligação muito forte com a avó Bertília. Conheceu os meninos, a primeira palavra que o Tomé disse foi "cão" porque o via todos os dias e porque, mesmo velhote, às vezes, era o que tinha mais paciência para ele. 

Tomar uma decisão assim é difícil, dói muito a quem passou todos estes anos ao lado de um bom e fiel companheiro. Ainda ontem o António João me perguntava porque custava tanto!! Eu respondi-lhe que tudo o que nos deixa saudade boa, todos aqueles que nos deixam memórias, são quem nos custa mais perder. Hoje o Tomás perguntou se era mesmo verdade e eu tive de lhe explicar, ainda que suavemente, o que era a perda de algo ou alguém assim tão especial.

Hoje tivemos de deixar o Fofo e o Fofo teve de nos deixar. Fisicamente. 

Abracei-o, dei um beijinho naquele pêlo emaranhado e olhei-o nos olhos  Despedi-me dele com o maior amor do mundo. Tanto quanto aquele que sentimos por ele. Agradeço a sua presença na nossa vida. Pedi desculpa pelo tempo que tivemos de nos ausentar. Disse que gostávamos todos muito dele e que o sofrimento não podia continuar. Pedi que olhasse por nós.

Chorei. Chorámos todos. Os "caqueiros" da água e da ração estão no mesmo sítio.

Estarás sempre presente por aqui, Fofinho. Pertences à nossa cooperativa. 
Gostamos muito de ti, velho amigo. 





terça-feira, 18 de setembro de 2018

Crónicas de uma mãe chata #3

Era uma vez uma grávida que passou uma gravidez maravilhosa, adorava inclusive aquela fase porque tudo lhe corria às mil maravilhas. Zero enjoos, barriga que parecia acrescento, no máximo até 10kg de aumento de peso, inchaço quase nenhum, as dores lombares e aquela vontade imensa de fazer xixi porque isso faz mesmo parte. 9 meses santos, digamos.
Certo dia, volvidas 39 semanas, a bolsa das águas rebenta e pumba, chegou a hora. Zero dores, contrações ainda espaçadas, já no hospital, pronta para a qualquer momento ter o seu baby nos braços. Dilatação suficiente, não quer epidural porque sabe-se lá os seus efeitos e porque a coisa deve ser à séria, fazer força, porta-se lindamente e pimbas, miúdo cá fora. Pele com pele de imediato, primeiro contacto com a mãe na chamada Golden Hour, mama assim que o puto nasceu e só depois se fizeram todas as outras coisas que manda a cartilha. Não vá o moço não ter afinidade com a mãe! Maravilha de parto!
A mulher até levou uns pontos mas nada que não se aguente. Afinal a mulher tem de aguentar tudo!
O miúdo era o mais sossegado da maternidade e como habitual, 2 ou 3 dias depois, casa com eles.
Em casa, a mesma rotina. Mama, arrota, cocó dorme. Mama, arrota, cocó, dorme. Nem chora o piqueno!
Vá de visitas, vá de gente a entrar em casa, umas com o perfume da Channel 5, outras com o do Armani, outras com o Boss. E nada dava abalo!
A mãe, por sua vez, quase nem sentiu a subida (ou descida ou sei lá) do leite, os pontos não lhe fizeram diferença (já eu.. Que parecia uma pata choca com as mamas a vazar leite sem fim!).
O catraio dormia tão bem mas então.. Acordar de 3h em 3h durante o primeiro mês por isto, aquilo e o outro. Ossos do ofício!
A mãe até tinha tempo para as tarefas da casa, ainda que o pai partilhasse, claro.
Aquela mãe que, ao contrário de mim, assim que olhou para o miúdo, amou-o loucamente. Já eu (sei que algumas acabarão por confessar), eh pha, claro que amava o meu filho, mas a primeira coisa que pensei quando olhei para ele foi "Djisas, o que faço eu com ele agora??".
Esta mãe também não teve baby blues porque, pudera, sentava-se e andava na perfeição porque os benditos pontos nem se notavam, as mamas não gretaram nem racharam nem pontinha de ferida, perdeu o peso que ganhou assim que o puto saiu. Que mais queria ela? O miúdo até ficava que nem um anjinho na caminha dele e pôde usar aqueles lençóis lindos que a tia velhota ofereceu (caramba, agora dei conta que nunca pus uns lençóis na cama do miúdo! A ver se trato de o deitar lá..)
Era tudo tão mágico que dava vontade de ter mais 30!
#sqn
...
Era uma vez. Disse.
Esta mãe... Existe? Não sei. Se invejo? Porra, claro que sim. Mas não se preocupem.. Todas temos os nossos "podres" e ser imperfeita é fixe! Mas sejam mesmo fixes, mães. Não se achem a última do pacote e depois digam que não vos avisei. Eu também espeto com uma Bolacha Maria de vez em quando ao miúdo e..Há bocadinho chamei-lhe "chatoooo". Ele respondeu "shhouuu" 😂

(PS: Se acham isto demais, sigam a minha inspiração: Ser Super Mãe é uma Treta) 🔝👌😂
#naodêpalpite 
#dêfraldas 
#mãesunicórnios 
#movimentoparentalidadeinconsciente 

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Crónicas de uma mãe chata #2 (a #1 não tem direito a post) 😂


Gosto de me inspirar em mães reais, que se assumem imperfeitas no seu papel e que, mesmo assim, agem, de peito cheio sendo as melhores mães para os seus filhos. E são mesmos. Passar apenas o cor de rosa da maternidade não seria real. Seria poético e bonito mas sou da opinião de que a verdadeira essência das coisas dá mais beleza e alegria à vida. Ainda que os miúdos sejam chatos, às vezes. Só às vezes. Nunca deixam de ser a melhor coisa que fizemos na vida - e que isto seja ponto assente! 

A pedido de passar para o blog as crónicas que ando a divagar no Facebook, passo a partilhar então aqui seguindo, por norma, as mesmas bases. São elas:
➡️ #naodêpalpite 
➡️ #dêfraldas 
➡️ #mãesunicórnios 
➡️ #movimentoparentalidadeinconsciente 


As fundamentalistas, moralistas, extremistas e coisada do género só dão assim aquele bocadinho de ânsias e voltinhas ao estômago. Parem lá de criticar as mães reais e sejam lovely friends. Quantas vezes precisamos de falar em equilíbrio e respeito? Thank God. Deixem lá as mães porem as crianças ao mundo de parto normal ou de cesariana - eles têm de sair, yaaa; queixarem-se do pós parto porque há certas merdas que doem mesmo ou dizerem que estão lindas e maravilhosas e fingirem por um bocado que são a Carolina Patrocínio after parto; meterem uma teta ou um biberão na boca dos miúdos para os alimentar - Fdx, desde que não passem fome é o que interessa; andarem carregadas com eles nos paninhos ou escarrapacharem com os gorditxoos no carrinho - experimentem andar com o Tomé por 5 minutos seguidos ao colo que os rins logo vos dão sinal. Eu sou suspeita porque contrario esses ditos, mas eu sou a mãe e adoro andar a carregar com ele e os seus generosos 10kgs; dar sopas e papas como manda a tradição ou experimentar o BLW (eu só não sou mais de sopas porque não me ajeito a fazê-las e até gosto de ver o gaiato todo sujo quando lhe espeto o macarrão e as panquecas à frente); evitar a palavra NÃO e seguir a bula da parentalidade positiva ou dar um grito de vez em quando e dizer "porra, isso não se faz. És teimoso que nem uma mula"; usar toalhitas todos os dias ou perder o norte à terra com as centenas de toalhas turcas e limpar o rabo aos miúdos sem químicos e etcs.
A dos sapatos e a do chocolate não vale a pena porque não o vou calçar tão depressa e por enquanto substituo o cacau pela alfarroba. Só ainda não sei se lhe faço festinha de 1 ano porque os bolos vêm cheios de açúcar e não posso oferecer brócolos aos convidados 😂😂

#naodêpalpite #dêfraldas #mãesunicórnios #movimentoparentalidadeinconsciente