terça-feira, 18 de setembro de 2018

Crónicas de uma mãe chata #3

Era uma vez uma grávida que passou uma gravidez maravilhosa, adorava inclusive aquela fase porque tudo lhe corria às mil maravilhas. Zero enjoos, barriga que parecia acrescento, no máximo até 10kg de aumento de peso, inchaço quase nenhum, as dores lombares e aquela vontade imensa de fazer xixi porque isso faz mesmo parte. 9 meses santos, digamos.
Certo dia, volvidas 39 semanas, a bolsa das águas rebenta e pumba, chegou a hora. Zero dores, contrações ainda espaçadas, já no hospital, pronta para a qualquer momento ter o seu baby nos braços. Dilatação suficiente, não quer epidural porque sabe-se lá os seus efeitos e porque a coisa deve ser à séria, fazer força, porta-se lindamente e pimbas, miúdo cá fora. Pele com pele de imediato, primeiro contacto com a mãe na chamada Golden Hour, mama assim que o puto nasceu e só depois se fizeram todas as outras coisas que manda a cartilha. Não vá o moço não ter afinidade com a mãe! Maravilha de parto!
A mulher até levou uns pontos mas nada que não se aguente. Afinal a mulher tem de aguentar tudo!
O miúdo era o mais sossegado da maternidade e como habitual, 2 ou 3 dias depois, casa com eles.
Em casa, a mesma rotina. Mama, arrota, cocó dorme. Mama, arrota, cocó, dorme. Nem chora o piqueno!
Vá de visitas, vá de gente a entrar em casa, umas com o perfume da Channel 5, outras com o do Armani, outras com o Boss. E nada dava abalo!
A mãe, por sua vez, quase nem sentiu a subida (ou descida ou sei lá) do leite, os pontos não lhe fizeram diferença (já eu.. Que parecia uma pata choca com as mamas a vazar leite sem fim!).
O catraio dormia tão bem mas então.. Acordar de 3h em 3h durante o primeiro mês por isto, aquilo e o outro. Ossos do ofício!
A mãe até tinha tempo para as tarefas da casa, ainda que o pai partilhasse, claro.
Aquela mãe que, ao contrário de mim, assim que olhou para o miúdo, amou-o loucamente. Já eu (sei que algumas acabarão por confessar), eh pha, claro que amava o meu filho, mas a primeira coisa que pensei quando olhei para ele foi "Djisas, o que faço eu com ele agora??".
Esta mãe também não teve baby blues porque, pudera, sentava-se e andava na perfeição porque os benditos pontos nem se notavam, as mamas não gretaram nem racharam nem pontinha de ferida, perdeu o peso que ganhou assim que o puto saiu. Que mais queria ela? O miúdo até ficava que nem um anjinho na caminha dele e pôde usar aqueles lençóis lindos que a tia velhota ofereceu (caramba, agora dei conta que nunca pus uns lençóis na cama do miúdo! A ver se trato de o deitar lá..)
Era tudo tão mágico que dava vontade de ter mais 30!
#sqn
...
Era uma vez. Disse.
Esta mãe... Existe? Não sei. Se invejo? Porra, claro que sim. Mas não se preocupem.. Todas temos os nossos "podres" e ser imperfeita é fixe! Mas sejam mesmo fixes, mães. Não se achem a última do pacote e depois digam que não vos avisei. Eu também espeto com uma Bolacha Maria de vez em quando ao miúdo e..Há bocadinho chamei-lhe "chatoooo". Ele respondeu "shhouuu" 😂

(PS: Se acham isto demais, sigam a minha inspiração: Ser Super Mãe é uma Treta) 🔝👌😂
#naodêpalpite 
#dêfraldas 
#mãesunicórnios 
#movimentoparentalidadeinconsciente 

4 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Admito que vos admiro muito, ao bebé pelo anjo e fofura que é, e a mãe pela pessoa que é. Juro que quando leio certas partes, até imagino a ter um bebé/filho como o Tomé na minha vida. Acabei de passar a minha aula inteira a ler o teu blog, li e li, aqueles que ainda não tinha lido, interrompida as vezes por alguns segundos, mas o certo facto é que foi uma aula inteira a ler e com uma musica de fundo, que metade delas nem sei quais foram, porque quando está focada em algo esqueces o resto. Adorava ter essa tua maneira de escrever e mesmo não a tendo, quando qualquer pessoa acaba de ler o que li, é capaz de escrever qualquer bíblia. E acredita que inspiras qualquer mãe, até mesmo as que não são (o meu caso). O Tomé tem muita sorte não pelo facto de ser a criança que é, mas sim por ter os pais que tem, e assim digo dos pais, tem a maior sorte do mundo, por terem uma criança maravilhosa e tão amada. Gostava de ver o Tomé mais vezes, mas não é possível, e quando sei que não o vi por segundos ou minutos, parte me o coração. Só tens que te orgulhar pela pessoa que és, pela mãe que és, pela mulher que és, pela amiga que és, pela namorada/mulher/esposa que és, pela bombeira que és e por mais coisas, porque podia passar outra aula a escrever. Isso que dizem as apenas palavras e bocas de pessoas que só queriam um terço do que vocês são. E tens que ter sentir bem contigo, porque ninguém é mais que tu mas sim muitas queriam ser como tu. Escrever mais e mais vezes. Porque adoro passar as minhas aulas a ler as aventuras da mãe e do Tomé

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    1. Agradeço pelas tuas palavras. Obrigada por nos seguires 🙏😊

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